Agosto 28, 2011

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Andy Warhol: I wonder if people are going to remember us?
Edie Sedgwick: What, when we're dead?
Andy Warhol: Yeah.
Edie Sedgwick: Well I think people will talk about how you changed the world.
Andy Warhol: I wonder what they'll say about you... in your obituary. I like that word.
Edie Sedgwick: Nothing nice, I don't think.
Andy Warhol: No no, come on. They'd say, "Edith Minturn Sedgwick: beautiful artist and actress...
Edie Sedgwick: ...and all around loon.
Andy Warhol: ...Remembered for setting the world on fire...
Edie Sedgwick: ...and escaping the clutches of her terrifying family...
Andy Warhol: ...Made friends with eeeeverybody, and anybody...
Edie Sedgwick: ...creating chaos and uproar wherever she went. Divorced as many times as she married, she leaves only good wishes behind.
[laughs]
Edie Sedgwick: That's nice, isn't it?

Factory Girl (2006)


Eu gosto desse diálogo, e gosto desse filme. Embora eu não goste muito do Andy Warhol, nem seja do tipo que idolatra a Sedgwick, eu gosto da Sienna Miller, e eu gosto desse filme, e o Anakin Skywalker está nele. E eu sempre me pergunto o que as pessoas vão pensar de mim quando eu morrer. E eu fico pensando se eu vou ter uma foto bonita, e se alguém vai colocar ela num papel e logo abaixo escrever sobre mim. E queria que fosse algo admirável, pra combinar com o que eu teria feito de excepcional na vida. “That’s nice, isn’t it?”
Eu ando precisando de coisas boas, e eu ando precisando do mundo. E esta sou eu, iniciando meus padrões de realização pessoal, iniciando a solidão que eu sempre soube que viria, e aproveitando que os melhores momentos da minha vida vieram depois de dias como este. Semanas como esta. E com a falta de pessoas que eu poderia ter ao meu lado pra sempre, mas não compartilharam ou não entenderam. Ou simplesmente não ligaram ao perceber que me perdiam. A parte boa disso tudo? Ter aprendido que o melhor de mim acontece assim, sozinha. E minha parte preferida? Dividir com estranhos.






Janeiro 7, 2011

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http://leopard-skin.tumblr.com





Março 26, 2009

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Você é uma opção ou uma escolha? Uma solução ou um problema? Um raio de luz ou uma janela? Preciso de você ou quero você? Gosto do seu cheiro por estar em você ou por já gostar dele antes? Somos sem jeito em público mas isso é fato ou fruto? Fruto da vontade reprimida por proximidade. Proximidade que sempre me faz mal. Percebo que estou bem quando consigo focar em trabalho, estudo, em mim. Sufoco todas as vontades de você com utopias, nem escrever escrevo e quando sai algo é totalmente ilógico e ilegível. Com você escrevo no escuro, não vejo linhas, sobreponho, fecho os olhos pra ouvir palavras que não chegam, estendo os braços segurando sonhos que caem, me deito no chão pra evitar cair. Não acredito em você. Não acredito em você, não acredito nem um pouco. Te digo isso e o que recebo em troca? Te ligo amanhã, amanhã foi anteontem. Anteontem. Gostar não é usar a mesma blusa sempre só porque ouviu que ele gosta, não é dividir suas batatinhas no recreio, não é pintar as unhas dos pés porque ela tem artrite, é ter duas mãos ocupadas e ficar sorrindo esperando.





Fevereiro 12, 2009

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Quantas vezes você já disse que era a última? Quantas vezes mais sua falta de orgulho dura? Quantas indiretas mais? Não existe ninguém que possa ajudar, você já saiu dessa fase. Não adianta marcar consulta, você já saiu dessa fase. É simples, você só precisa sair dessa fase. Mas, eu nunca fui boa em vídeo games, eu era boa cuidando de pokémons, eu era boa cuidando dele, eu era boa sendo viciada nele. Nem isso agora é mais. Você já saiu dessa fase, é o que insisto dizendo, quando tudo que eu sinto é vontade de entrar embaixo daquelas mesas amarelas que costumava usar na escola quando tinha 5 anos. Eu gostava de ficar embaixo delas, eu já dei a mão a um menino embaixo delas. Ele tinha cabelos claros e lisos, e sempre estava faltando aula por motivos de doença, eu queria cuidar dele, eu gostava quando ele voltava, eu ajudava com o dever, lembro de uma vez que a professora sorriu quando mandou que eu ajudasse. Eu nem sei onde estão aquelas mesas amarelas. Eu não caberia sob elas. Eu já passei dessa fase.





Dezembro 8, 2008

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Não sou boa. Sinto muito, eu não sou. Eu acordo descabelada e com a cara inchada, meus pés são tortos e minhas mãos feias, estou acima do peso. Tenho dificuldade em me concentrar e em realizar tarefas, qualquer comentário idiota me broxa, pessoas me jogando isso na cara só me deixa pior.
Sinto muito, não sei ficar motivada. Foi o mesmo aos 15 anos quando ganhei minha guitarra. Uma decepção com amigas me fez desanimar, a falta de tempo me fez desistir, e a angústia me impede de tocar agora.
Sinto muito, não tenho tempo. Não tenho tempo pra fazer tudo, ou pra sair a noite, ou fazer um trabalho decente. Não tenho tempo pra ser feliz, ou ser alegre o tempo inteiro. Ou ensinar meu gato a usar a caixa de areia, ele ainda acredita que o Box do chuveiro é o local certo pra fazer cocô.
Sinto muito, minha professora está certa, eu tenho uma trava interna, e essa trava se chama medo. Eu tenho medo de não ter talento algum, de estar no curso errado, e é muito mais fácil bancar o “foda-se”, que morrer por aquilo e ouvir: não é pra você.






Outubro 14, 2008

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Perdi a mania de fechar janelas. Quando vejo, estou no quarto da frente enrolada na toalha, pouco ligando do prédio em frente estar em obras. E se a roupa fica ruim, esqueço que a porta do banheiro é visível aos vizinhos e logo me livro dela. Quando morava numa casa, mesmo sozinha, trancava portas e janelas. Não sei se era mania, ou era porque as crianças pulavam o muro pra pegar frutas, o fato é: antes vários estranhos me observando que um conhecido. Um pedreiro não vai gritar do prédio da frente: “ei, volta pra academia!”, mas, minha irmã gritaria. Acompanha o fato? Que nem o menino drogado do prédio da frente seria classificado como estranho, afinal, ele puxa uns, senta na varanda e fica tocando violão, até brigar com o mesmo. E eu? Bem, eu sento no chão forrado com plástico, meia noite, pra esculpir sabão. Aliás, eu faço sabão. Aliás, eu perdi minhas digitais com soda cáustica. E já tem mais de ano que minha identidade venceu, e as pessoas olham e dizem: essa não é você. Óbvio que não. Deus me livre, aquela criancinha de dez anos testuda, com a cara vermelha de praia, e os cabelos cor de merda? Não meu bem, da praia passo longe, o cabelo agora é vermelho e se a testa ainda é grande, o cabelo disfarça. A parte triste é continuar cafona, insistindo na estampa de oncinha e nos lenços e nos óculos e nos sonhos e nas possibilidades de mudar a vista dessa janela.





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Não sei até onde pretendia chegar com tudo isso, muito menos entendia porque fazia tudo isso. O fato é: não consigo ser desagradável com estranhos. E por mais que seja um ano convivendo, eu não consigo ser desagradável. Certo, em muitos momentos consegui ser classificada como escrota (pra não decepcionar os que realmente me conhecem), mas, acredite, eu não estava explorando toda minha capacidade em ser, eu apenas era. Sofro da síndrome do bocão, as coisas saem mais rápido do que eu consigo controlar, milhões de conexões mentais que resultam em frases estúpidas, para pessoas estúpidas. Então na sexta, o pote encheu, e pra não transbordar caí fora. Qual minha surpresa ao receber o telefonema: “Ei, sabe aquele remédio? Que você comprou pra virar? Me diz o nome aí”. Hm, é, pode deixar, eu digo. (só pra constar que, se você quer ser má, seja direito. E em silêncio).





Outubro 13, 2008

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“Para entender a complexa ordem da cidade, é necessário compreender esse balé de mutação constante” _. Jane Jacobs

Pessoas andando pelas ruas, janelas se abrindo, crianças correndo, o som da vassoura da vizinha, uma chave deixada na padaria, segundo Jane Jacobs, esse conjunto torna uma rua próspera para uma cidade e não os projetos urbanísticos utópicos dos modernistas, projetos sem ruas, onde crianças deveriam brincar em parques, parques estes, onde adultos, devido à vida moderna, tem cada vez menos tempo de sentar e contemplar. Em muitos aspectos, o que a Jane (e digo “a Jane” assim, porque me soa mais íntimo, me sinto mais íntima) diz, muito me agrada, me faz imaginar onde “acertar” nas cidades, como mudar esse mundo de vidros de carros fechados, fones nos ouvidos, crianças trancadas em apartamentos, me faz lembrar a parte que me agradava em arquitetura: poder ajudar as pessoas.

Sim, eu tenho a utopia interna de querer ajudar o mundo (o tão mencionado por mim “espírito de miss”), não me juntar aos conformados, mesmo sabendo que muitas vezes é o que faço. Quando leio possibilidades como as descritas pela Jane (vamos lá, já falei que quero me sentir íntima), imagino tudo que poderei fazer um dia, e me apaixono.

Me apaixono por pessoas capazes de enxergar além, pessoas que conseguem ver a beleza no caos, olhe a Jane, olhe o Frank (Gehry). E pessoas tão diferentes, que enxergam coisas tão diferentes, ele, um arquiteto bem formado, ela uma jornalista empírica. Duas semanas atrás, estava apaixonada por ele, hoje, por ela, embora não o tenha esquecido. Mas, são paixões diferentes.

Em Jane, é pelo mundo, coisas tão simples que podem trazer flores e perfumes às vidas.

Em Frank é por mim. É pelo ser mortal. Saber que ser brilhante é ser inseguro, é ter medo do fracasso, é usar todos os clichês possíveis para passar pelas situações. É ter um documentário sobre a sua vida e dizer: "Estou sempre com medo de que não consiga saber o que fazer. É um momento assustador."






Outubro 1, 2008

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Gosto de chiclete em fita e de grafite 2B. De imaginar o futuro, porque o presente tem sido enfadonho. Contemplar paisagens e pessoas. Imaginar se não fosse a timidez, a falta de jeito que leva ao desastre. Seria feio mentir, dizendo que gostaria de possuir milhares de amigos, sairmos todos sempre, sorrir e curtir cada gota que caísse sobre nós, cada um que passasse por nós, porque estaríamos altos demais para notar qualquer sujeira no chão. Grupos grandes me cansam. Uns bons 2 amigos com brilho nos olhos e vontade de observar e conversar me bastariam. Um telefonema as quatro da manhã, um chá às cinco, um sol às seis, um abraço às seis e cinco. Alguém com quem pudesse ser. Um lugar onde as folhas caíssem no outono, usássemos grandes casacos. E as roupas de baixo seriam Anthropologie, mesmo que o sapato não combinasse. E os sorrisos primaveris, e o sol fraco o suficiente pra eu não usar filtro solar. E a grama seca. É possível tanto azar com o mundo real? Com pessoas? Ou é possível que o engano seja eu?







Julho 5, 2008

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luzposteportamolduracadeadolâmpadaarmáriotvtecladoesmaltemaquiagemcoração
raiotelefonedragõesespelhoáguacalculadorapapelcachecolsaiacanetavestidociúme
medotédiofériasbarulhocorridacorrentepastelônibusóculosenfeitemodamúsicaespelho. ai.







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"imagina lego pra 6 bilhões de pessoas, quanto lego"

Eu nunca curti lego. Quando cheguei na faculdade de arquitetura reparei que fui uma das poucas. Um dia, comentando sobre o curso com alguém de fora falaram: 'Ah, então você curtia lego não é?' Não.
Nunca curti lego. E nem virou trauma. E nem acho que minha vida perde o sentido nisso.
Cada um perde a infância como bem quer. Perdi a minha imaginando. Imagine futuro. Imagine sair daqui. Dessa cidade pequena pra mim. Dessas pessoas pequenas pra mim. Desses sonhos frações dos meus. Dessas invejas enrustidas.
"Liberdade é pouco pra mim", Clarice é que me entende.
E imaginei tanto que agora tenho alucinações em ônibus com pessoas mortas. E essas pessoas mortas sentam do meu lado. E possuem cheiro. Um cheiro muito bom. E elas usam óculos bonitos. E possuem ombros lindos. E elas não sorriem pra mim. E tudo no singular.






Maio 7, 2008

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É sobre você. Sobre seus defeitos, suas qualidades. Estou colocando aqui, pra quem quiser ler e junto comigo, te julgar. A diferença é que eles te julgam pelos meus olhos, posso não provar que estou certa, mas, provo que você está errado. E é esse o motivo, que me faz esconder que escrevo, que me faz agradecer a borracha, o não salvar o arquivo, o deletar esse texto. O motivo de ficar falando por aí, que não sei lidar com críticas, o que não deixa de ser verdade. E no fim, é tudo medo, medo que você seja mais um que lê e não entende, que lê se pondo no lugar, que lê achando que só se escreve sobre o que se vive. Medo de que você fuja, quando descobrir que sou cafona, que queria ter fotos nossa até brigando; que meu maior sonho era casar virgem, na igreja. Ter filhos, e fazer a roupa deles. Já até sei tricô, o básico ao menos. Medo que você ache estranho essa liberdade enrustida, essa vontade de querer fazer tudo, e acabar não fazendo nada. De querer ter uma casa só minha, porque odeio satisfação. Odeio ter que explicar quem foi lá, onde eu fui. Medo que você descubra que não me conhece. Que secretamente consigo odiar o mundo e queria conseguir viver sozinha, escrever sobre isso e fumar o dia todo enquanto tomo banho de banheira e bebo vinho. De descobrir que pode não ser você. Olhar nos seus olhos um dia e não entender. Você entrar na lista dos que me decepcionaram e eu deixei, deixei acreditarem que eu era a estúpida e que eles me abandonaram. Medo de você entrar em outra lista, a dos que eu sinto saudade. Que você não aceite meus amigos, minha família, meus sonhos, minhas vontades. Medo que você não entenda que não quero abandonar o pouco que tenho, não pra te agradar. Medo que eu te faça sofrer. Medo que você consiga ler isto, antes que eu me irrite com algum comentário e apague.





Abril 11, 2008

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Se há uns quatro ou cinco anos atrás perguntassem: “Quem é você?”, poderia discursar por horas. Diria da cor ao sabor favorito de sorvete (embora não fosse grande fã). Mas hoje? Não por um não saber, mas sim por uma definição, até mesmo uma não definição já definiria.
Ser mais sonho que rótulo. Mais insegurança que diversão. Mais sentimento que juízo (disfarçando loucamente essa parte). Quer que cite Sartre? Heidegger? Heger? Que faça referências a Jacques Tati? Que te dê uma pasta ou cole post-its em seu espelho para que saiba?
Numa menção clara a Caio F. Abreu (vício do ultimo mês): não chegue perto com o paraíso (“onde tudo é perfeito e nada dói nem cintila ou ofega”), atrapalha o alecrim e hortelã. Atrapalha a contemplação às berinjelas (“os dragões, descobri depois, adoram contemplar berinjelas”). Não chegue perto com certezas, certezas que não viveu.
Chegue com doces, com analogias; chegue sujo por dentro. Mas. Sujo de algo que reconheça.


Reconhecer o apartamento vazio, o superbonder debaixo da unha, a música tocando. E, o motivo do pensamento, reconhecer que “não sou besta pra tirar onda de herói”.






Março 27, 2008

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No ônibus, de calça. Queria descer, de vestido. No meio do caminho, e tem o vento. Ah, o vento. Subir na beira segurando a saia e pular. Um grande espetáculo. Sair de mim e fotografar a queda, e antes do impacto com a água olhar pra cima e estar lá novamente, o vestido o cabelo o vento. O desespero. A pilha que acaba. O espelho que não encaixa. A explicação que não vem;
Pula.






Março 23, 2008

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"...mas então você só acredita naquilo que vê? Se você dissesse sim, ele falaria em unicornios, salamandras, harpias, hamadríades, sereias e ogros. Talvez em fadas também, orixás quem sabe? Ou átomos, buracos negros, anãs brancas, quasars e protozoários. E diria, com aquele ar levemente pedante: "Quem só acredita no visível tem um mundo muito pequeno. Os dragões não cabem nesses pequenos mundos de paredes invioláveis para o que não é visível".
...eu sabia que o bebê devia sonhar com dragões, unicórnios ou salamandras, esse era um jeito do seu mundo ir-se tornando aos poucos mais largo. Mas os bebês costumam esquecer dessas coisas quando deixam de ser bebês, embora possuam a estranham facilidade de ver dragões - coisa que só os mundos mais largos conseguem." Os dragões não conhecem o paraíso - Caio F. Abreu

É prum trabalho, não vício. Juro.






Março 16, 2008

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"sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo meu deus como você me doía de vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada só olhando e pensando meu deus mas como você me dói de vez em quando." _. Caio F. Abreu; do conto HARRIET

{...}

Consigo pirar em duas semanas. Toda reclamação de saudade, de falta, de tédio, agora não existe mais. Sou útil de novo, e o tempo não rende, e, vou te falar, é uma felicidade estranha e completa. Esperando as noites sem tempo pra dormir.






Março 7, 2008

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não, eu não fico triste. Não, eu não sinto falta. Não, eu não estou dizendo isso pra mandar um: Eu não to nem aí (e no fundo me importar). A decepção supera qualquer sentimento possível; Sabia que na pré-história os homens acreditavam que ao pintar os animais na parede estariam "atraindo" seus espíritos e conseguiriam caça? Antes, eu animadamente dividiria; Mas, minha animação vinha sendo mal interpretada. Acontece quando se conhece bem demais uma pessoa. Você interpreta errado porque esquece que as pessoas mudam, ou você quebra a cara porque sabe que elas mudam. O legal é mudar junto. O legal é respeitar que eu sou canhota e você destro, ou eu destra e você canhoto. O ideal é compartilhar felicidade, pra que compartilhem a sua. O chato é ter dormido de mau humor, acordado atrasada, tido q descer do ônibus pelo princípio de incêndio no motor, ficar com idéias más na mente devido ao mau humor e apesar de tudo, não querer magoar ninguém.







Fevereiro 19, 2008

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Pela noite tudo era mais bonito. As luzes acesas, as luzes apagadas. As pessoas sorrindo embriagadas de festas, chorando embriagadas de amores. Pés descalços de tanto dançar. Só não gostava de flashes.
E minhas plantas morriam. E meus ralos entupiam. E enquanto o dia brilhava lá fora, mais um dia, eu murchava aqui dentro.







Fevereiro 12, 2008

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Vontade de dizer coisas bonitas. Desde cotovias até estrelas. Se antes era “querer ser terra” hoje sou “capaz de ouvir e de entender estrelas”. Não apoiar/acreditar em parnasianos, mesmo já tendo tentado ser um deles. Sufocar os sonhos feridos, como orgulho. Juntar a massa.
Massa que nega, quer ser pedra. Nem se sabe “se as pedras podem viver sem alma. Uma estátua quando é verdadeiramente bela, tem sangue e nervos”.
Mais nervos que sangue, se possível. Porque sangue hipnotiza, escorre. Sangue corre, alimenta. Sangue lhe é vital, depende-se dele. Então foge do sangue. Seja mais nervos. Sinta.






Fevereiro 4, 2008

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Nunca fui daquelas que tinham pressa. Queria ser criança, brincar de boneca pra sempre. Correr, pular na água da chuva, subir em montes de barro que ficavam nas portas das casas em obra. E eu fiz isso. Muito. Embora a última vez que eu tenha pulado nas poças pareça perdida muito tempo atrás. Ou quando peguei chuva vindo do banco e me joguei na piscina verde. Ter a roupa molhada o suficiente pra parecer milhares de quilos mais pesada. Agora eu corro, se não desmonto. Escorro. Corro porque quero ter aulas na faculdade. Achar meu ponto fraco, que seja urbanismo, esgoto. Que seja interior, fachada. Mas que eu ache. Corro porque quero morar sozinha, escolher o tapete pra por na porta. O que vou comer no jantar. Testar todos os sofás possíveis, os colchões possíveis. Ter uma parede pra rabiscar, fui criada rabiscando paredes, culpe meu pai. Ter uma casa vazia o suficiente pra andar em qualquer lugar e trazer algo que acrescente mais. Mais de mim. Um lugar que entrem e seja todo eu. Eu e meu. Corro pra ter um emprego, e ter folga. Aquele dia em que eu vou ao cinema. Corro pra ter um gato, e que ele não fuja como sempre acontece aqui. Porque de manhã cedo ele sempre vai ter leitinho e blahblahblahblahwhiskassachê. Filmes que eu gosto na estante. Que eu não gosto também, pra poder chamar alguém que goste tão pouco quanto eu pra rirmos dos defeitos e dos atores. E uma cozinha, ah sim, uma cozinha. Pra finalmente eu poder cozinhar.

Corro porque nunca achei que fosse ter tempo, e só posso desejar que o tempo passe rápido agora, pra no futuro eu ter tempo.